Acordei essa madrugada, mais precisamente 1:00 a.m, na cama da minha avó, enrolado em um edredom e todo encolhido de frio! Aos poucos fui me esticando, tentando fugir de alguns pensamentos e me perdendo em outros e logo me vi pensando na vida. Foi então que ouvi algumas vozes no meu quarto, a princípio me assustei, mas reconheci aquelas vozes. Me levantei.
Estava chegando à porta do meu quarto quando me deparei comigo mesmo. De um lado eu com a cara ainda amassada, barba por fazer e envolvido num grande e quente edredom, do outro eu de jeans, camiseta branca, barba feita e um cigarro na mão. Olhamos-nos um tempo antes de começarmos a conversar:
- Já acordou? – Perguntei pra mim mesmo enquanto acendia um cigarro.
- Meus neurônios estão começando a acordar, o que faz aqui?
- Bom você tomou decisões e fazia um tempinho que não nos encontrávamos. Estava aqui perto e resolvi passar. Algum problema?
-Não, acho que não e você algum problema?
- não.
Permanecemos calados ali no corredor entre dois quartos até que nos abraçamos.
- Esta pronto? – Me perguntei levando o cigarro a boca.
- Vou lavar o rosto e encontro você no nosso quarto ok?
- Combinado.
Lavei meu rosto, respirei fundo e entrei no quarto. Foi um susto! Eram tantos de mim em um lugar só. Homens, adolescentes rebeldes, nerds, crianças e algumas mulheres também!
Já terminando o cigarro olhei para mim parado na porta e disse:
- Achei que hoje era dia de uma terapia em grupo. São tantos e todos tão confusos.
- Bom somos de aquário, não? –Dei um sorriso amarelo enquanto me enrolava no edredom novamente e me acomodava numa ponta da cama.
Sorri.
– Você não perde a piada Neh? – Disse um adolescente meio emburrado que estava perto do som.
-Nem você. –respondi com ar de inteligência da mesa do computador após fechar um grande livro e tirar os óculos.
-Nem você! –Uma voz meio enrolada veio de um menino que jogava vídeo-game.
Pronto foi armada a confusão as crianças começaram a chorar e as mulheres foram apartar a briga.
Algum tempo depois estávamos todos sentados em um grande circulo. Achei melhor nomear apenas um de mim para falar comigo assim não tinha confusão, mas como não espero minhas próprias reações. Sabia que conversa seria longa.
Logo comecei a falar:
-Cacete, hein?! Como você apanha. Você não cansa?
-Se eu não canso? Eu já até desisti. Você convive comigo todos os dias. Será que você ainda não percebeu que eu desisti?
-Você diz isso pros outros, e nem eles acreditam, logo você não pode mentir pra você.
-É, acho que você tem razão.
(Perdi pra mim...)
-Mas é que às vezes, sei lá, cansa.
-É, eu sei que cansa, nós sentimos as mesmas coisas. Não tem muito que falar.
-Escuta, você veio aqui pra encher o meu saco?
-Claro, pra isso eu sirvo.
-Ai, se eu pudesse acabar com você...
-Poder você pode, mas vai acabar consigo mesmo. Não esquece que ninguém nesse mundo te ama mais do que eu, ou te respeita e te compreende. Ninguém além de mim te acompanha e te conforta sempre quando você chora deitado na cama ouvindo Marisa Monte ou Ana Carolina. São minhas as mãos que te afagam a alma, porque eu sou a sua alma. E é bom que saiba que conversar comigo nos momentos de dor e de solidão é o melhor remédio. E transcrever tudo o que eu te digo é o melhor desabafo.
-É, acho que você tem razão
(perdi pra mim mais uma vez...)
-Mas afinal o que te traz aqui?
- Bom ta na hora de você dar um rumo pra sua vida.
- Como?
- Primeiro você tem que se amar e amar seu futuro e parar de colocar as pessoas na sua frente. Promete que daqui pra frente é você em primeiro lugar?
-Por quê?
-Para de perguntar o porquê das coisas e promete! Você sabe que estou certo!
-Ok. Prometo!
-A vida está sentada. Ela está lá esperando para ver o que nós vamos fazer com ela. Está só de olho! . Ah Achei isso no fundo da sua gaveta. – falando isso me deu uma caixinha de biscoitos não muito velha, mas muito empoeirada.
-Abri. –Lá dentro encontrei meus planos de sair de casa, minha faculdade, minha mudança de postura em relação ao mundo, aquela viagem que queria tanto. Chorei!
-Bom você já sabe o caminho a seguir. Arrume um emprego. Pague suas dividas. E retome seus sonhos. Acho que por hoje chega a conversa já foi satisfatória.
-Mas você não disse quase nada!
-Disse o suficiente!
Dito isso, todas aquelas versões de mim se levantaram e, uma a uma veio me abraçar e a cada abraço retornavam a minha alma até que restasse dois de mim. Eu, agora acordado e meio atordoado com toda aquela situação e eu roupa limpa, jeans novo e brilhos nos olhos.
- É bom te reencontrar, você tinha sumido. Antes de ir preciso que você me prometa mais algumas coisas. –Disse ajeitando a camiseta e se sentando na minha frente.
-Fala.
-Eu tenho medo do que possa acontecer. Tenho medo de perder, medo de ganhar, medo de ficar igual. Tenho medo de que tudo acabe como sempre acabou. Medo que seja mais um rasgo no meu peito, uma das feridas que aparecem sem necessidade, mas que sempre estão lá. Inflamam, pesam, machucam, matam pouco a pouco, dia a dia. Eu tenho medo de acabar sozinho outra vez.
Não consegui responder, não era aquela versão de mim que tinha esse medo. Nós tínhamos esse medo! EU tenho esse medo. Medo criado no dia que me perdi de mim pra viver só da vida boêmia. Não que ela seja ruim, mas existe muito mais alem disso. Mas antes que pudesse continuar meus pensamentos voltei a falar:
-Promete não fugir mais. Fica comigo! Sem você nós somos nada em busca de lugar nenhum. Juntos a gente ganha o mundo! Promete pra mim que vai ficar, custe o que custar? Que não vai esquecer quem você é, quem eu sou e de quem nós somos? Há tantos contigo nesse mundo a fora, aí perto, aí do lado. Tantos que podem te mandar pra longe de mim. São tantos em tantas noites que passam do seu lado. Promete escutar só aqueles que te tocam o coração? O resto é bom pra se divertir de vez em quando e nada mais. Só de pensar que os seus passos podem se desviar dos meus, me sinto sem passo algum. Promete que não vai se arrepender do que passou nesse tempo que estávamos perdidos? Tire uma lição disso e siga em frente. Fica comigo e eu prometo que vamos ser felizes. E ai promete?
- Desculpe, eu não queria ser tão distante, ser tão difícil. Sem você era tudo tão perto, tão do lado, mas ao mesmo tempo tão lá longe, lá no inferno, lá fora de mim. Não chore eu não vou passar mais noites em claro, mais dias sem graças, mais horas sem vida. Eu quero você. Eu quero você agora. Eu prometo que estamos juntos! Agora me abraça forte e não me solta mais. Me segura.
Nos abraçamos e eu finalmente me reencontrei. Era um Iuri inteiro e não só uma parte de mim vagando pelo mundo!
-Deita aqui, vou ler uns poemas pra você e acender um cigarro. Afinal para nós dois, o mundo é lindo do jeito que é...
-Vamos começar tudo outra vez, mas agora vai ser muito melhor.
-shhh! Por hoje chega.
-E assim deitado no meu próprio colo, senti o coração acalmar e alma aquecer. Nada mais precisava ser dito. Dormi!
Estava chegando à porta do meu quarto quando me deparei comigo mesmo. De um lado eu com a cara ainda amassada, barba por fazer e envolvido num grande e quente edredom, do outro eu de jeans, camiseta branca, barba feita e um cigarro na mão. Olhamos-nos um tempo antes de começarmos a conversar:

- Já acordou? – Perguntei pra mim mesmo enquanto acendia um cigarro.
- Meus neurônios estão começando a acordar, o que faz aqui?
- Bom você tomou decisões e fazia um tempinho que não nos encontrávamos. Estava aqui perto e resolvi passar. Algum problema?
-Não, acho que não e você algum problema?
- não.
Permanecemos calados ali no corredor entre dois quartos até que nos abraçamos.
- Esta pronto? – Me perguntei levando o cigarro a boca.
- Vou lavar o rosto e encontro você no nosso quarto ok?
- Combinado.
Lavei meu rosto, respirei fundo e entrei no quarto. Foi um susto! Eram tantos de mim em um lugar só. Homens, adolescentes rebeldes, nerds, crianças e algumas mulheres também!
Já terminando o cigarro olhei para mim parado na porta e disse:
- Achei que hoje era dia de uma terapia em grupo. São tantos e todos tão confusos.
- Bom somos de aquário, não? –Dei um sorriso amarelo enquanto me enrolava no edredom novamente e me acomodava numa ponta da cama.
Sorri.
– Você não perde a piada Neh? – Disse um adolescente meio emburrado que estava perto do som.
-Nem você. –respondi com ar de inteligência da mesa do computador após fechar um grande livro e tirar os óculos.
-Nem você! –Uma voz meio enrolada veio de um menino que jogava vídeo-game.
Pronto foi armada a confusão as crianças começaram a chorar e as mulheres foram apartar a briga.
Algum tempo depois estávamos todos sentados em um grande circulo. Achei melhor nomear apenas um de mim para falar comigo assim não tinha confusão, mas como não espero minhas próprias reações. Sabia que conversa seria longa.
Logo comecei a falar:
-Cacete, hein?! Como você apanha. Você não cansa?
-Se eu não canso? Eu já até desisti. Você convive comigo todos os dias. Será que você ainda não percebeu que eu desisti?
-Você diz isso pros outros, e nem eles acreditam, logo você não pode mentir pra você.
-É, acho que você tem razão.
(Perdi pra mim...)
-Mas é que às vezes, sei lá, cansa.
-É, eu sei que cansa, nós sentimos as mesmas coisas. Não tem muito que falar.
-Escuta, você veio aqui pra encher o meu saco?
-Claro, pra isso eu sirvo.
-Ai, se eu pudesse acabar com você...
-Poder você pode, mas vai acabar consigo mesmo. Não esquece que ninguém nesse mundo te ama mais do que eu, ou te respeita e te compreende. Ninguém além de mim te acompanha e te conforta sempre quando você chora deitado na cama ouvindo Marisa Monte ou Ana Carolina. São minhas as mãos que te afagam a alma, porque eu sou a sua alma. E é bom que saiba que conversar comigo nos momentos de dor e de solidão é o melhor remédio. E transcrever tudo o que eu te digo é o melhor desabafo.
-É, acho que você tem razão
(perdi pra mim mais uma vez...)
-Mas afinal o que te traz aqui?
- Bom ta na hora de você dar um rumo pra sua vida.
- Como?
- Primeiro você tem que se amar e amar seu futuro e parar de colocar as pessoas na sua frente. Promete que daqui pra frente é você em primeiro lugar?
-Por quê?
-Para de perguntar o porquê das coisas e promete! Você sabe que estou certo!
-Ok. Prometo!
-A vida está sentada. Ela está lá esperando para ver o que nós vamos fazer com ela. Está só de olho! . Ah Achei isso no fundo da sua gaveta. – falando isso me deu uma caixinha de biscoitos não muito velha, mas muito empoeirada.
-Abri. –Lá dentro encontrei meus planos de sair de casa, minha faculdade, minha mudança de postura em relação ao mundo, aquela viagem que queria tanto. Chorei!
-Bom você já sabe o caminho a seguir. Arrume um emprego. Pague suas dividas. E retome seus sonhos. Acho que por hoje chega a conversa já foi satisfatória.
-Mas você não disse quase nada!
-Disse o suficiente!
Dito isso, todas aquelas versões de mim se levantaram e, uma a uma veio me abraçar e a cada abraço retornavam a minha alma até que restasse dois de mim. Eu, agora acordado e meio atordoado com toda aquela situação e eu roupa limpa, jeans novo e brilhos nos olhos.
- É bom te reencontrar, você tinha sumido. Antes de ir preciso que você me prometa mais algumas coisas. –Disse ajeitando a camiseta e se sentando na minha frente.
-Fala.
-Eu tenho medo do que possa acontecer. Tenho medo de perder, medo de ganhar, medo de ficar igual. Tenho medo de que tudo acabe como sempre acabou. Medo que seja mais um rasgo no meu peito, uma das feridas que aparecem sem necessidade, mas que sempre estão lá. Inflamam, pesam, machucam, matam pouco a pouco, dia a dia. Eu tenho medo de acabar sozinho outra vez.
Não consegui responder, não era aquela versão de mim que tinha esse medo. Nós tínhamos esse medo! EU tenho esse medo. Medo criado no dia que me perdi de mim pra viver só da vida boêmia. Não que ela seja ruim, mas existe muito mais alem disso. Mas antes que pudesse continuar meus pensamentos voltei a falar:
-Promete não fugir mais. Fica comigo! Sem você nós somos nada em busca de lugar nenhum. Juntos a gente ganha o mundo! Promete pra mim que vai ficar, custe o que custar? Que não vai esquecer quem você é, quem eu sou e de quem nós somos? Há tantos contigo nesse mundo a fora, aí perto, aí do lado. Tantos que podem te mandar pra longe de mim. São tantos em tantas noites que passam do seu lado. Promete escutar só aqueles que te tocam o coração? O resto é bom pra se divertir de vez em quando e nada mais. Só de pensar que os seus passos podem se desviar dos meus, me sinto sem passo algum. Promete que não vai se arrepender do que passou nesse tempo que estávamos perdidos? Tire uma lição disso e siga em frente. Fica comigo e eu prometo que vamos ser felizes. E ai promete?
- Desculpe, eu não queria ser tão distante, ser tão difícil. Sem você era tudo tão perto, tão do lado, mas ao mesmo tempo tão lá longe, lá no inferno, lá fora de mim. Não chore eu não vou passar mais noites em claro, mais dias sem graças, mais horas sem vida. Eu quero você. Eu quero você agora. Eu prometo que estamos juntos! Agora me abraça forte e não me solta mais. Me segura.
Nos abraçamos e eu finalmente me reencontrei. Era um Iuri inteiro e não só uma parte de mim vagando pelo mundo!
-Deita aqui, vou ler uns poemas pra você e acender um cigarro. Afinal para nós dois, o mundo é lindo do jeito que é...
-Vamos começar tudo outra vez, mas agora vai ser muito melhor.
-shhh! Por hoje chega.
-E assim deitado no meu próprio colo, senti o coração acalmar e alma aquecer. Nada mais precisava ser dito. Dormi!
Aqui deixo rélis palavras, diante de um texto que me trouxe sensações, emoções, sonhos, idéias.
ResponderExcluirAhhhh Iu, como o hoje será melhor que o ontem e pior que o manhã. Para que se limitar a viver aquilo que é passível de fazer sentido aos olhos dos outros?
Seu blog está INSPIRADOR!
bjão
Fê!